Programa Completo: 8 Módulos sobre Inclusão Financeira e Dados Abertos
Estrutura detalhada do programa que embasa os serviços da Andorinha — do mapeamento de fontes públicas à publicação responsável de comparações. Cada módulo descreve o que é ensinado, como é abordado e quais são os entregáveis associados.
8 módulos · 24 aulas · 8 semanas · 3 sessões ao vivo · Pacote de dados + certificado
8
módulos
24
aulas
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semanas
3
sessões ao vivo
Estrutura do programa
Bloco 1 — Fundamentos (Módulos 1–3)
01 Fontes de dados públicos no Brasil
O primeiro módulo mapeia os principais portais de publicação de dados sobre inclusão financeira no Brasil: o sistema de dados abertos do Banco Central do Brasil, o SIDRA do IBGE, as publicações periódicas da FEBRABAN e o catálogo dados.gov.br. Para cada fonte, são descritos o tipo de dado publicado, a periodicidade de atualização e a forma de acesso aos arquivos.
Uma atenção particular é dada à diferença entre tabelas de consulta direta e séries históricas em formato aberto. Nem toda publicação de um órgão oficial está disponível como dado reutilizável; parte delas existe apenas como relatório em PDF, o que impõe limitações à comparação longitudinal.
Temas abordados: mapeamento de portais oficiais, distinção entre relatório e dado aberto, periodicidade e versionamento de publicações, leitura de metadados de arquivos CSV e XLSX do Banco Central e do IBGE.
02 Definições e revisões de série
Indicadores de inclusão financeira não são conceitos estáticos. O que o Banco Central denominava "conta de pagamento ativa" em 2015 passou por redefinições em publicações posteriores; o conceito de "bancarização" utilizado em pesquisas da FEBRABAN difere metodologicamente do usado pelo Banco Mundial. Este módulo descreve como identificar essas mudanças antes de iniciar qualquer comparação.
São apresentados os tipos mais comuns de revisão: revisão retroativa de série (quando os dados históricos são atualizados), mudança de metodologia sem revisão retroativa e descontinuação de um indicador com substituição por outro. Cada tipo tem implicações distintas para a comparação longitudinal.
Entregáveis: modelo de registro de mudanças de definição para uso interno da organização, com campos para data da publicação original, data da revisão, descrição da mudança e indicação de comparabilidade retroativa.
03 Alinhamento de períodos e unidades
Mesmo que dois indicadores meçam o mesmo fenômeno e venham da mesma fonte, podem referir-se a períodos distintos — trimestral versus anual, data de competência versus data de liquidação. Este módulo apresenta técnicas documentadas para verificar o alinhamento de período antes de qualquer comparação.
A unidade também importa: comparar um valor per capita com um valor absoluto, ou comparar percentuais calculados sobre bases diferentes, gera aparências de comparação onde não há comparabilidade real. São discutidos os erros mais frequentes identificados em relatórios publicados por organizações da sociedade civil no Brasil entre 2020 e 2024, com base em análise de fontes públicas.
Glossário incluído: período de referência, data de competência, data de liquidação, valor per capita, valor absoluto, base de cálculo — cada termo definido a partir da terminologia adotada pelo Banco Central do Brasil e pelo IBGE nas suas notas metodológicas.
Bloco 2 — Comparação e Publicação (Módulos 4–6)
04 Painéis comparativos estáticos
A representação visual de uma comparação temporal deve tornar o contexto explícito, não pressupô-lo. Este módulo apresenta o padrão de painel "antes e depois" adotado pela Andorinha: dois blocos paralelos com a mesma escala declarada, e a diferença calculada expressa em palavras entre eles — de modo que o leitor não precise fazer o cálculo nem inferir a escala.
São discutidas as escolhas de design que afetam a percepção da diferença: truncamento do eixo vertical, diferença proporcional versus diferença absoluta, e o tratamento de valores ausentes ou estimados. Todos os exemplos utilizam dados públicos do Banco Central e do IBGE.
Entregáveis: modelo de painel comparativo em formato editável, com campos para escala compartilhada, fonte, período de referência e sentença de diferença calculada.
05 Acordos de publicação compartilhada
Quando duas ou mais organizações decidem publicar dados conjuntamente, as decisões tomadas antes da coleta determinam a qualidade do resultado. Este módulo descreve os elementos de um acordo de trabalho: definição comum de cada campo, responsabilidade por atualização, limiar de agregação abaixo do qual os dados não são desagregados por privacidade, e política de crédito.
A distinção entre acordo de trabalho (processo operacional) e contrato (instrumento jurídico) é tratada com clareza: o que entregamos é o primeiro; o segundo é responsabilidade dos assessores jurídicos das partes. Questões contratuais entre organizações parceiras devem ser encaminhadas a profissionais habilitados.
Temas abordados: estrutura de um acordo de trabalho para publicação conjunta de dados, limiar de agregação e privacidade, política de crédito e atribuição, responsabilidade por atualização e documentação de divergências entre parceiros.
06 Redação de ressalvas metodológicas
Uma ressalva metodológica bem redigida informa o leitor sem interromper a leitura. Este módulo apresenta modelos de nota de rodapé e parágrafo de ressalva para os tipos mais comuns de limitação: série revisada, período parcial, comparação com base diferente e dado estimado. Os modelos foram desenvolvidos a partir de práticas adotadas por publicações de institutos de pesquisa brasileiros.
São também abordados os erros mais comuns nesse tipo de redação: omissão da limitação, ressalva vaga demais para ser útil, e ressalva que desqualifica o dado sem necessidade. O objetivo é que a ressalva declare o que o dado não permite concluir, sem deixar de registrar o que ele permite.
Entregáveis: biblioteca de modelos de ressalva por tipo de limitação, em formato de texto editável, com exemplos preenchidos a partir de séries públicas do IBGE e do Banco Central do Brasil.
Bloco 3 — Documentação e Revisão (Módulos 7–8)
07 Pacotes de dados abertos documentados
Um pacote de dados aberto bem documentado é reutilizável por terceiros sem necessidade de contato com quem o produziu. Este módulo descreve a estrutura mínima para esse tipo de entrega: arquivo de dados, dicionário de variáveis, registro de fonte (URL, data de acesso e versão), licença de uso e notas de processamento.
São apresentados os formatos mais compatíveis com as práticas brasileiras de dados abertos — CSV com separador declarado, XLSX com aba de metadados, e JSON para dados hierárquicos — e os padrões de nomenclatura de arquivo que facilitam o versionamento.
Entregáveis: modelo de pacote de dados com dicionário de variáveis, ficha de metadados e notas de processamento — em formato compatível com o padrão de publicação do dados.gov.br.
08 Revisão e publicação responsável
O módulo final integra os conteúdos anteriores em um checklist de revisão pré-publicação. Cada item do checklist corresponde a um ponto verificável: alinhamento de período confirmado, escala declarada no painel, ressalva metodológica presente onde necessário, fonte citada com URL e data de acesso, e revisão interna por um segundo membro da equipe.
São discutidos os critérios para decidir quando uma comparação está pronta para publicação e quando requer mais verificação. Análises responsáveis apresentam hipóteses com fundamento, não conclusões sem rastro — e o checklist é a ferramenta que torna esse princípio operacional.
Entregáveis: checklist de revisão pré-publicação em formato de lista de verificação, com campos para registro de quem verificou cada item e data da verificação — adaptável ao fluxo interno de cada organização.
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